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Meu nome é Ingrid Lotfi, tenho 27 anos, sou do Rio de Janeiro, Analista de Sistemas, casada e tenho um filho de 2 anos, chamado João Victor. Apesar de trabalhar com Informática, hoje tenho uma grande afinidade com assuntos relacionados à gestação, parto e amamentação




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Terça-feira, Setembro 28, 2004

Radicalmente contra...

"Radicalmente contra"

... a má utilização da palavra "radical" !! ;o))

A palavra radical tem sido utilizada na maioria das vezes com um sentido muito mais negativo do que positivo. A palavra foi banida do rol das virtudes e incluída nos vícios.

A origem da palavra vem do latim "radicale" que significa "da raiz". Ou seja, ir onde dá a vida, onde surge a sustentação.

Eu diria que ser radical, seria voltar às raizes e inovar, pois não nos conformamos com as rotinas estabelecidas e por conhecermos caminhos melhores, mais seguros, mais saudáveis.

E para inovar em meio aos fortes paradigmas estabelecidos, é preciso enfrentar um grande desafio. É preciso ser corajoso, destemido. Arrojado na defesa dos nossos princípios. Destemido e corajoso para não sucumbir aos interesses escusos, às pressões, mas permanecer fiel aos objetivos.

Eu gosto muito da Heloísa Helena. No entanto, o termo radical designado a ela, nunca (ou quase nunca) é dado como forma de elogio. Ela é a pessoa dissonante, é a inconformada, a que nunca está satisfeita. E por esses motivos é que ela é "taxada" de radical. Não por ela ser batalhadora, autêntica, e perseguidora dos seus ideais. Ela tem seu partido. O partido dos seus princípios. Um partido sem siglas, sem cor e sem nome. Ela tem o partido dela mesma. No entanto, nossa sociedade não só é condescendente, como valoriza e compreende exatamente o contrário, onde não importa ter opinião formada, e sim ficar em cima do muro, para cair para um lado ou para o
outro dependendo dos seus interesses no momento. Por isso é tão difícil ser ativista.

Mas será que não seria interessante sermos radicais com o direito de nos expressarmos livremente, sem medidas de exceção?
Numa época em que vários níveis de gerações debatem idéias, onde culturas se chocam e novos conceitos surgem, é preciso compreender o sentido do que é ser radical.
Para os jovens, ser "radicaaaaal", diz respeito à sua irreverência inovadora. Falam, e se vestem diferente, praticam esportes "radicaaais",
fazem campanhas, alertas, sensibilizam as pessoas com as questões sociais (camisinha, drogas, câncer de mama, abuso de cesáreas, aleitamento materno, etc).

Mas então por que estes movimentos são muitas vezes criticados, injustamente, por indivíduos demasiado conservadores?

Graças a Deus, vivemos numa democracia, ou se não vivemos, deveríamos.
Temos pleno direito de ultrapassar os limites, alterar o usual, e sermos livres.
Temos pleno direito de sermos felizes, realizar sonhos e desejos, nem que seja através da nossa, digamos, irreverência.
É assim que evoluímos, é assim que fazemos que o futuro aconteça.

Sejamos sim, ativistas.
De peito aberto, falaremos alto e assumiremos nossos ideais.
Criticaremos paradigmas.
Questionaremos atitudes.
Mas não julgaremos as pessoas, não as criticaremos pelas suas atitudes, na maioria das vezes tomadas sem o apoio e o discernimento necessário na época..
Ao contrário disso, docemente levaremos a informação e compreenderemos que para mudar algo, é preciso ir na raiz - não nos nós. É preciso pressionar quem está em cima, não as pessoas que sofreram as consequencias do sistema existente.

Radicais vão às raizes, não aos terminais.


escrito por INGRID LOTFI em 12:01 PM
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Sexta-feira, Setembro 24, 2004

Pesquisa científica

O que é e no que se baseia a pesquisa científica?

A pesquisa científica consiste na observação de um fato, consequentemente no levantamento de hipóteses que expliquem esse fato e na busca da comprovação
dessas hipóteses levantadas pelo cientista/pesquisador.

Um exemplo, vamos supor que em determinada rua ocorram muitos acidentes de trânsito. Esse é um fato.

Posso supor, construir uma hipótese, que diz que se eu coloco um sinal de trânsito em determinado local nesta rua, os acidentes diminuirão consideravelmente.
Eu estou baseando essa hipótese numa crença minha, numa suposição, numa intuição.

E aí coloca-se o sinal de trânsito e passamos a observar novamente o trânsito e os acidentes.

Vem então outro pesquisador e formula a hipótese que os acidentes acontecem pq há uma curva nesta rua, que é muito acentuada e leva os carros a perderem
o controle. Ele formula a hipótese que se ele coloca uma placa alguns metros antes avisando da curva e coloca alguns quebra-molas para forçar a redução
da velocidade, os acidentes diminuirão.

Recomeça então a observação e temos então dois "pesquisadores", observando o MESMO fato, e tentando provar suas teorias através de caminhos distintos.

Assim são as pesquisas científicas. Elas tentam provar intuições. E essas intuições têm muito a ver com a pessoa que a elabora e na sociedade no qual ela está inserida. O cientista crê em algo e tenta provar. Ele vai por caminhos em que ele acredita e descarta os que não acredita. Também temos que considerar que se a gente vai por um caminho, chegamos numa resposta, que talvez não chegássemos se adotássemos outra linha de pensamento.

No entanto, como esses "pesquisadores" se comportam diante de crenças opostas às suas? Intermináveis ataques entre as partes que tentarão defender com armas e dentes a sua "verdade".

No caso de Colombo, que queria chegar às Índias através do Ocidente pq acreditava na Terra redonda, descobriu-se pouco tempo depois que ele não havia chegado às Índias, e "apenas" tinha descoberto um novo continente, que recebeu o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio que foi o navegador que constatou isso. Colombo caiu em desgraça, morreu na miséria ao ver a suposta falha da sua teoria. A primeira viagem em torno da Terra foi realizada em 1519 por Fernão de Magalhães e Sebastião del Cano.

Seria possível para os cientistas e pesquisadores aceitarem outras interpretações diferentes da sua, para os mesmos fatos? E mais, e se as conclusões forem opostas?
Infelizmente a tendência é não abandonar suas crenças pois, após comprovadas, tornam os pesquisadores os donos da verdade e do saber, os patriarcas do conhecimento.
Mas vamos imaginar que não contestássemos as teorias... Talvez, se Copérnico não contestasse Ptolomeu, até hoje acreditaríamos que a Terra é o centro do Universo...

Pra finalizar, será que foi realmente comprovado no passado que a episiotomia realmente protegia o períneo pq sempre existiram crenças entre os pesquisadores de que a vagina da mulher não seria capaz de se abrir e se fechar, num mecanismo de perfeição do corpo feminino durante o parto?

São só reflexões...

escrito por INGRID LOTFI em 3:14 PM
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Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Ato médico

Não tenho opinião fechada sobre o assunto, no entanto a princípio não sou a favor do ato médico, mas sim de uma reflexão ampla sobre os verdadeiros papéis dos cuidadores da saúde, que é o bem-estar do paciente.

Não acredito que haja uma verdade absoluta ou que a única forma de ter bons resultados na saúde seja através do conhecimento de diagnósticos e indicações terapeuticas somente aprendidas na faculdade de medicina. Existe essa teoria onde somente um médico poderia garantir o melhor caminho para o tratamento e cura de uma patologia, devido aos 6 anos de graduação na área.

Na prática as demais áreas da saúde têm sido capazes de obter resultados tão bons quanto os resultados obtidos pela área essencialmente médica, através de métodos alternativos existentes nas diferentes formas de cuidar. Esses bons resultados não têm dependido de um profissional capacitado em dar diagnósticos disfuncionais e etiológicos. Além disso, sabemos que o estudo aprofundado do médico neste campo não garante que ele saberá diagnosticar perfeitamente. Mas concordo que uma área não deve dar diagnósticos para os quais não houve treinamento. Ao invés disso, devem desenvolver e se aprofundar nas suas próprias técnicas.

Outra questão se baseia no fato de que nem sempre o conhecimento amplo e abrangente será benéfico e garantirá bons resultados ao paciente. Em alguns casos, este "saber a mais" atrapalha pois afasta o médico das soluções mais alternativas e até inócuas de lidar com o lado fisiológico. Por exemplo, enfermeiras-obstétricas, que não tem o conhecimento para realizar cesarianas, acabaram desenvolveram ao longo dos anos através da sua prática, maneiras alternativas e inócuas de lidar com intercorrências comuns que, no meio médico, são quase sempre resolvidas através de drogas e intervenções cirúrgicas. Esta outra maneira de cuidar reduziu as intervenções sem aumentar a mortalidade.

Acho que não devemos misturar os modelos e as formas de cuidar. Cada um tem a sua individualidade para desenvolver suas técnicas, assim como o paciente tem liberdade de escolha para decidir que modelo seguir.

Quem desenvolveu a proposta do ato médico sabe que o paciente não está sendo comprovadamente prejudicado pela ausência de um profissional especializado em fazer os diagnósticos e as indicações terapeuticas. A preocupação existe justamente pq este fato faz com que o profissional médico perca o seu diferencial, que é justamente o fato de ter aprendido a fazer diagnósticos ao longo de tantos anos de curso. Há preocupação com a reserva de mercado e a necessidade de criar urgente uma forma de valorizar este profissional, nem que seja tornando-o o único capaz de realizar as indicações terapeuticas e diagnosticar patologias. Não vejo sentido nisso pois os caminhos que as outras terapias seguem não precisam ser necessariamente os mesmos caminhos da medicina. Obrigá-las a isso seria atá-las, pois os modelos são diferentes. Como disse no início, há crenças, interpretações. Verdade absoluta, não. Se os resultados têm sido bons... pq não?

Há também, aparentemente, interesses em elitizar a classe médica e torná-la superior às demais classes. Penso isso pq não foi sequer falado em habilitar as demais classes na questão dos diagnósticos somente aprendido nas faculdades médicas. Como, por outro lado, parece inviável que isto se torne uma realidade, deixo em aberto.

Por fim, quero dizer que acredito na medicina e acho que médicos, como cuidadores da saúde, sempre serão necessários, e não precisam de ato médico para tal. Quem determina a necessidade e o destino de uma profissão é o cliente-paciente. Profissões não somem, no máximo se transformam. Não acho que haja o que temer, só teremos a ganhar. Sempre. Se estão aparecendo outras alternativas e se essas estão tendo sucesso, é porque estamos presenciando avanços na saúde. Não é isso que importa?

Se a medicina vem perdendo lugar para as formas de tratamento alternativas, então não seria um caso dela própria rever seus conceitos, ao invés de criar uma lei que a beneficie?
É preciso unir forças, pois o que importa é que todas as classes sejam livres para dar seguimento às suas formas de cuidar mesmo que seus princípios e filosofias sejam diferentes. Para aceitar isso é necessário que todos tenham muita humildade e que compreendam que a sua verdade não é universal ou a unica maneira de obter resultados satisfatórios. É preciso se despir de todo e qualquer tipo de preconceito, vaidade, egoísmo e arrogância (de ambas as partes) pois não há um melhor/pior que o outro e sim diferenças que diversificam e valorizam todas as áreas da saúde.

Os pacientes e profissionais só terão a ganhar com esta postura.


escrito por INGRID LOTFI em 1:50 PM
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